Eu sempre quis fugir da tragédia que é a minha vida, e dos vários amores artificiais que a cercam. Não suporto mais o controle que me envolve e é cada vez mais chamativo para me deixar triste.
É engraçado que, o meu estado de graça me conduz cada vez mais para as coisas que nunca foram chamativas para mim. Mas acontece que um copo de cerveja e um cigarro na mão me levam a um lugar onde nada consegue me frustrar. Onde o sexo sem paixão me acalma e onde eu sou eu. Não eu mesma, pois não existo além de um mero paradoxo. Mas sou quase eu, esboçando um sorriso tão forçado que quase me convence de que posso ser feliz.
Porém, quando o porre acaba - acordo vendo uma luz insatisfatória e ouço aquela voz irritante sussurrando no pé do meu ouvido que eu não tenho nenhum direito de sofrer -, os cortes no meu braço esquerdo me sustentam.
Transformei minha vida medíocre em bonecos de plásticos.