quinta-feira, novembro 3

Uma carta que não foi enviada...

Escrever faz parte de mim. É a água que me transporta nas piores e melhores direções.
Escrever uma carta não é algo difícil. Escrever a carta que você pediu para que escrevesse e demonstrasse todo o meu carinho por você não foi diferente. Iniciei com um versinho do Vinícius de Moraes e deixei que a minha mão direita fizesse o resto.
Fiz tudo como você pediu: escrita a mão, de uma forma antiga e romântica. Descrevi todos os meus sentimentos por você, contei alguns segredos e deixei bem claro quais eram as minhas dez coisas preferidas. Coloquei em um envelope e guardei...
Após dez dias sem poder lhe entregar, e depois de ver o quanto você havia me enganado e estava seguindo em frente, rasguei a carta. Rasguei um sonho de um recomeço e rasguei a parte onde eu escrevi que você era uma pessoa que eu teria coragem de apresentar para a minha família.
Até hoje eu não consigo entender o que aconteceu com você... Os seus motivos e razões. O que aconteceu com todos os seus planos. Se você não tinha a menor intenção de levar adiante, porque alimentou por tanto tempo um coração que ainda sofre. Por que você resolveu tornar-se parte do meu sofrimento?
Você encheu o meu balão e depois o estourou. Com força, por sinal.
Já vi você inúmeras vezes após o “nosso fim”. Não sei se você me viu, ou se fingiu que não viu. Mas eu só queria dizer que eu sinto a sua falta. Sinto falta dos seus telefonemas, de você estar preocupado comigo e me forçando a comer alguma coisa. Sinto saudade do seu ciúme e do seu perfume na minha roupa. Sinto falta da sua blusa azul marinho com listras brancas. Tenho vontade de colocar amendoim com chocolate na sua boca de novo e poder lhe chamar de bebe mais uma vez.
Por que você se foi? E por que não se despediu de mim?