sábado, dezembro 17

Como você pode amar uma pessoa, irrevogavelmente, e para todo o sempre, se ainda existem bilhões de outras espalhadas pelo mundo que você ainda não conhece?
Como você pode achar que encontrou o grande amor da sua vida, se você ainda não avistou outros amores espalhados pelos ares, que talvez procure exatamente as mesmas coisas que você?
Como você pode dizer que não existe ninguém a sua altura, se você ainda não descobriu todos os amores disponíveis?
Acredite: não é possível ter certeza. O futuro é incerto. A vida é inconstante e as mudanças são extremamente necessárias. Arriscar faz parte da evolução humana: quando você erra, você possui a extraordinária honra de recomeçar. E quando você acerta você tem o grande prazer de seguir em frente e fazer valer a pena todos os seus sonhos abusivos e extravagantes.
A vida é mesmo uma caixinha de surpresas e jamais deve ser fechada. Mantenha-a sempre aberta para que haja ventilação e troca de ares. Deixe fluir, deixe acontecer.
E quem nunca sonhou com um romance de portão? Um namoro de aperto de mão?
Quem nunca dormiu imaginando como seria a vida daqui há dez ou vinte anos? Quantos filhos e como seria a casa dos sonhos?
E olha só uma coisa: quem vive pelos cantos exaltando as glórias de ser independente, ainda não conheceu o prestígio de uma glória de ser independente a dois.
Viver sozinho não é viver. É apenas existir.
Existir em um mundo paradoxal. Sem necessidade.
Mário Quintana disse uma vez que era muito bom morrer de amor e continuar vivendo. Mas, é mesmo necessário morrer para amar?
Beijo bom é dado com calor... aquele calor da vida e da vontade. Boa de se viver.

domingo, dezembro 4

"Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto.
De resto, com que posso contar comigo? Uma acuidade horrível das sensações, e a compreensão profunda de estar sentindo…Uma inteligência aguda para me destruir, e um poder de sonho sôfrego de me entreter…”

Fernando Pessoa
"O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar.."

Fernando Pessoa
"Compreendi que as coisas são reais e todas diferentes umas das outras.
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais."

Fernando Pessoa