Outra vez você foi-se. Saiu por aquela porta vestindo seu chinelo velho e bermuda rasgada.
Saiu para sempre.
Saiu para sempre.
Fiquei parada observando você afastar-se, e em momento algum demonstrei vontade de ir atrás e buscar-lhe. Pedir, suplicar que você ficasse. E para ser franca, eu estava mesmo ansiosa com a sua partida. Contava nos dedos os minutos para que chegasse logo a hora de ver você ir embora.
Já estava mais do que esclarecido, que, mais cedo ou mais tarde, você acabaria deixando-me sozinha outra vez. Então era melhor que sua partida fosse rápida e branda, para que não houvesse marcas, nem dor.
Não almejo mais sua presença. Ela já não me satisfaz.
A indiferença com que você me tratava é, agora, indiferente pra mim também.
Sei que fiz muito por nós. E desta vez você não poderá usar a desculpa de que era hora de eu correr atrás de você. Pois eu tenho certeza de que fui, porém você não estava pronto para me receber.





