quarta-feira, setembro 21

"No presente, o homem se faz pela posse da razão."
Erasmo de Roterdã

Acredito sim, fielmente, na premissa de que homem gosta mesmo é de uma boa vagabunda: que utiliza de vocabulários chulos, que não sabe comportar-se a mesa, que não tem bons hábitos de higiene, que fuma após aquela transa gostosa e que não tem a mínima noção de quem seja Vinícius de Moraes ou Fernando Pessoa. Mas também não acredito que mulher precisa ser um exímio feminino: cheia de pudores, que jamais fale um palavrão, ou tome uma cerveja gelada.
A mulher precisa corromper, instigar, intimidar um homem. Colocá-lo contra parede e fazê-lo homem, daqueles quase de verdade. Másculo. Viril. Poder total de sedução feminino: puta na cama, dama na sociedade. E bem... O homem... Deveria gostar que fosse assim. Poder ter uma mulher inteligente, sagaz. Além da beleza.
Porém, convenhamos que nessa sociedade ridicularizada pelo machismo a mulher não pode ser esperta, muito menos culta. Dessa forma, ela conheceria as manhas e saberia os truques, dificilmente sendo enganada. Tomaria as rédeas, tiraria a roupa sem iniciativa masculina e até mesmo pagaria a conta. Dominaria facilmente um bom rapaz, ou um rapaz bom; tanto faz. Com prazer!
Só que assim não dá. O relacionamento só tem fundamento – e prazer -, se a mulher for burra.
E boa de cama!

terça-feira, setembro 6

"Me entende, eu não quis, eu não quero, eu sofro, eu tenho medo, me dá a tua mão, entende, por favor. Eu tenho medo, merda!Ontem chorei. Por tudo que fomos. Por tudo o que não conseguimos ser. Por tudo que se perdeu. Por termos nos perdido. Pelo que queríamos que fosse e não foi. Pela renúncia. Por valores não dados. Por erros cometidos. Acertos não comemorados. Palavras dissipadas.Versos brancos. Chorei pela guerra cotidiana. Pelas tentativas de sobrevivência. Pelos apelos de paz não atendidos. Pelo amor derramado. Pelo amor ofendido e aprisionado. Pelo amor perdido. Pelo respeito empoeirado em cima da estante. Pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda- roupa. Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados. Pela culpa. Toda a culpa. Minha. Sua. Nossa culpa. Por tudo que foi e voou. E não volta mais, pois que hoje é já outro dia. Chorei. Apronto agora os meus pés na estrada. Ponho-me a caminhar sob sol e vento. Vou ali ser feliz e já volto."

Caio Fernando Abreu

segunda-feira, setembro 5

"E por falar em saudade onde anda você
Onde andam seus olhos que a gente não vê
Onde anda esse corpo
Que me deixou louco de tanto prazer
E por falar em beleza onde anda a canção
Que se ouvia na noite dos bares de então
Onde a gente ficava,onde a gente se amava
Em total solidão
Hoje eu saio da noite vazia
Numa boemia sem razão de ser
Na rotina dos bares,que apesar dos pesares
Me trazem você
E por falar em paixão, em razão de viver
Você bem que podia me aparecer
Nesses mesmos lugares, na noite, nos bares
Onde anda você."




Vinícius de Moraes

Ainda tenho muito pra falar...

E eu não acreditava! Achava que quando você me chamava de bobinha estava sendo carinhoso, mas na verdade estava ironizando os meus sentimentos e deixando claro que eu era, literalmente, uma idiota, por acreditar que um homem qualquer, que se conhece no bar, poderia mesmo importar-se com alguém que sofria.
Engraçado que você soube envolver-me como ninguém havia feito antes. Conseguiu arrancar de mim todo o meu silêncio e os meus segredos só pra ter o prazer de dizer que conseguiu provar, por a mais b, que realmente é um homem sensacional. Logo eu que sempre fui tão cautelosa com os meus medos e os meus amores, que nunca deixei as pessoas aproximarem-se de mim, e que estive sempre muito bem resguardada. Para nada... não serviu de nada!
Ainda bem que acredito na premissa de que o sofrimento é uma forma de aprendizado. E eu aprendi com você. Hoje, mais do que nunca, eu sei o quanto eu não devo confiar nas pessoas que se aproximam de mim, e que os meus problemas jamais deverão ser compartilhados com terceiros. Entendi que ciúme exacerbado não é prova de fidelidade ou carinho e que você não trouxe felicidade alguma.
Não sei quem decretou um fim para tal envolvimento: se foi a sua falta de hombridade ou se foi a minha mensagem, mas quem o fez, fez na hora certa. E bem feito!
Infelizmente não tinha como haver continuidade. A conclusão maior que eu consegui chegar era que você não tinha maturidade suficiente para saber enfrentar um problema simples.

quinta-feira, setembro 1

Andar para quê? Para pra sentir!
Sonhar para quê? A realidade é mais crua, menos complicada.
Idealizar para quê? A verdade é mais conveniente.
Sorrir para quê? Sofrer é tão mais fácil.
Seguir adiante para quê? Acomodar é muito mais confortável.
Esforçar para quê? Ninguém jamais irá lhe recompensar.
É mais fácil, simples, descomplicado, indolor, anestesiado, não sentir nada. Dessa forma não existem possibilidades que nos encaminham para a decepção.

Se eu acreditasse... Levasse adiante.
Mas estou parada em um lugar frio e escuro. É mórbido.
A dor segura minhas pernas impedindo-me de andar. E eu não posso sentir nada, porque até meus sentimentos estão sendo controlados.

just.

E por que não sonhar e arriscar?
Viver com intensidade, aprender, experimentar...
Sofrer pra dizer que amou. Errar pra dizer que nunca mais irá fazer.
Não se pode dizer não para algo que não se conhece. Nem dizer que não gosta de um sabor que não experimentou.
Não existe certo ou errado. Existem momentos vividos, experiências adquiridas e saudades de um tempo que não volta mais.

não dá.

Eu já não consigo evitar!
É impossível não te amar.
E em todo momento
Eu desejo...
Em seus braços estar.
Sentir tua pele, beijar
Tua nuca, tirar tua roupa...
Ser inconsequente no nosso amor.
Eu vou sim, esquecer minha dor.


quase amor!

Até tocar os seus lábios e conhecer a vasta imensidão dos seus olhos...
Meu Deus! Por que demoras tanto?
Realiza meu sonho.