quarta-feira, setembro 21

"No presente, o homem se faz pela posse da razão."
Erasmo de Roterdã

Acredito sim, fielmente, na premissa de que homem gosta mesmo é de uma boa vagabunda: que utiliza de vocabulários chulos, que não sabe comportar-se a mesa, que não tem bons hábitos de higiene, que fuma após aquela transa gostosa e que não tem a mínima noção de quem seja Vinícius de Moraes ou Fernando Pessoa. Mas também não acredito que mulher precisa ser um exímio feminino: cheia de pudores, que jamais fale um palavrão, ou tome uma cerveja gelada.
A mulher precisa corromper, instigar, intimidar um homem. Colocá-lo contra parede e fazê-lo homem, daqueles quase de verdade. Másculo. Viril. Poder total de sedução feminino: puta na cama, dama na sociedade. E bem... O homem... Deveria gostar que fosse assim. Poder ter uma mulher inteligente, sagaz. Além da beleza.
Porém, convenhamos que nessa sociedade ridicularizada pelo machismo a mulher não pode ser esperta, muito menos culta. Dessa forma, ela conheceria as manhas e saberia os truques, dificilmente sendo enganada. Tomaria as rédeas, tiraria a roupa sem iniciativa masculina e até mesmo pagaria a conta. Dominaria facilmente um bom rapaz, ou um rapaz bom; tanto faz. Com prazer!
Só que assim não dá. O relacionamento só tem fundamento – e prazer -, se a mulher for burra.
E boa de cama!