A dor toma conta e eu não consigo levantar e fazer coisas simples, como tomar uma xícara de café. É como se eu estivesse em um transe eterno. O meu coração está padecendo cada vez mais e eu não tenho confiança em ninguém para contar o que mais me aflige.
A minha vida se resume em uma frase tão clichê, que se torna tão medíocre quanto à própria: sim, eu estou rodeada de muitos, mas me sinto sozinha a todo instante... Quanta lástima sem nenhuma piedade!
Não possuo refúgios e muito menos paz para chorar sozinha, e aquela pergunta assola a minha mente a todo instante: - Por que choras assim, se tu não tens nenhum problema?
Talvez o problema maior seja ter tantos problemas e nenhuma mísera compreensão.
É aquela velha história de garotinhas mimadas a vida toda com intenção de pouco carinho. Sejamos francos: presentes e vontades realizadas no momento certo nunca preencheram a alma de ninguém, e tratamento com uma psicóloga aos 12 anos para diminuir a culpa de um divórcio trágico, misturado de uma infância lamentável não muda absolutamente nada.
Nada mudou e está longe de tomar proporções diferentes.
Vou ser sempre assim: eu sofro em silêncio, e torturo-me em silêncio também. A vida é minha, consequentemente, os problemas também são.
Não se sinta obrigado a perguntar como estou, pois não vou te contar a verdade. Nunca.
